terça-feira, 12 de julho de 2011

Militantes pretendem vaiar Dilma por veto ao kit anti-homofobia




Do portal Terra

O veto do governo federal ao kit anti-homofobia, que seria distribuído nas escolas do País, levou o movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) a se mobilizar para vaiar a presidente Dilma Rousseff nas mais de 200 paradas gays que serão realizadas no Brasil nos próximos meses. Alguns militantes conhecidos, como o antropólogo Luiz Mott, disseram, nesta segunda-feira em Salvador, que pretendem vaiar Dilma até em eventos públicos de que ela participe na capital baiana.
Após a presidente ter sido vaiada na parada de Campinas (SP), no dia 3 de julho, Mott afirmou ter feito uma consulta nas principais listas gays da internet, "vencendo a proposta a favor de vaiar Dilma nas próximas paradas LGBT". A presidente foi igualmente criticada em faixas e banners na parada de São Paulo, considerada a maior do mundo. Ela foi representada num enorme boneco com os dizeres "Dilma trocou o Kit Anti-homofobia por Palocci!" - uma alusão à pressão feita pela bancada evangélica no Congresso, que ameaçou aprovar a convocação do ex-ministro Antonio Palocci para uma CPI caso o kit fosse distribuído.
Mott avalia que o movimento LGBT, predominantemente dominado por militantes filiados ao PT, "encontra-se bastante dividido na avaliação do governo Lula/Dilma". O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), o paranaense Toni Reis, é contra a vaia. Ele chegou a declarar que "Lula é o Papai Noel dos gays" e, mesmo depois do veto ao kit anti-homofobia, continua chamando Dilma de "querida". Por outro lado, Mott, decano do movimento LGBT brasileiro, declarou que Lula "é o vampiro dos gays" e Dilma "tem as mãos sujas de sangue".
Para justificar sua desaprovação, Mott aponta para o crescimento de 113% no número de assassinatos de homossexuais no Brasil nos últimos cinco anos, segundo o relatório anual dos chamados crimes homofóbicos, elaborado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). Ele avalia que esse crescimento se dá, em parte, por suposto "descaso governamental" em relação às políticas que combatem a homofobia. Conforme o relatório do GGB, em 2010 foram assassinados 260 gays e travestis em todo o País.

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