segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Homossexuais são agredidos na região da Paulista (de novo!)



            Li ontem à noite na Folha de São Paulo uma notícia sobre mais uma agressão homofóbica na região da Avenida Paulista. Um casal de namorados saiu de uma boate, os dois forasm perseguidos e agredidos. 
            Ao ler o texto duas coisas me vieram à cabeça: a primeira é tentar entender o que leva uma pessoa, ou um grupo de pessoas, a sair de casa para agredir? E desta pergunta derivam inúmeras outras: Que direito essas pessoas acreditam ter de machucar outra pessoa? No que se acham superiores?
Sinceramente é algo que vai além da minha compreensão, não entendo.
A segunda era saber qual seria a repercussão da notícia junto aos leitores do jornal, através dos comentários postados na reportagem da Folha.
Me impressionou o número e os tipos de textos publicados ali. E é deles que eu quero falar um pouco.
Não sei se vocês sabem, mas os comentários da Folha são moderados, se escrever uma palavra como “sexo”, por exemplo, seu texto automaticamente vai para a moderação, mesmo que sua frase diga algo inocente como “No exame não foi possível verificar o sexo do bebê”.
Foi nos comentários da matéria que os leitores mostraram todo seu ódio, naturalizam as agressões, defenderam seu direito de agredir, condenaram a homossexualidade classificando-a como aberração, anomalia, coisa do demônio, ou algo que deve ser sumariamente eliminada da face da Terra.
Os argumentos são os piores possíveis, tem de tudo, machistas, neo-nazistas, fanáticos religiosos, tem alguns que foram ao dicionário buscar a definição de casal, para provar que dois homens ou duas mulheres não formam um casal. Enfim, tem homofóbicos para todos os gostos.
Mas embaixo de todos os comentários há a expressão: O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
E penso aqui com os meus botões: COMO NÃO?
Como um jornal abre espaço para que mensagens de ódio sejam veiculadas, dá voz para que pessoas defendam a extinção de parcela da sociedade, espalhem sua visão deturpada de mundo, ofendam, agridam, perpetuem preconceitos, cometam crimes, façam ameaças e violem direitos humanos não se responsabiliza pelo espaço que abriu?
Ao abrir espaço para que pessoas destilem seu ódio, preguem formas violentas de eliminação de homossexuais, o jornal é tão responsável e homofóbico quanto quem os escreveu e deve responder por isso!
Penso, e já disse aqui, que precisamos pensar melhor os meios de comunicação, entendê-los como concessões públicas, rediscutir e redefinir conceitos como a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a responsabilidade e a ética jornalística.
Sim, precisamos de um marco regulatório dos meios de comunicação, é urgente e mais do que necessário!
Além disso, precisamos fazer com que as LGBTs participem mais ativamente da construção do país, opinem, formulem, se insiram nas batalhas que se travam diariamente por mais educação e saúde de qualidade, por salários e condições de vida digna.
Precisamos nos inserir nos movimentos sociais e interferir nos rumos do país, chamar outros movimentos para discutir a criminalização da homofobia, marchar juntos naquilo que nos une!
Ou ampliamos nossa ação e dialogamos com outros movimentos, ou continuaremos a ver agressões cada vez mais brutais legitimadas pelos jornalões da velha mídia!

Um comentário:

  1. Parabéns pelo texto querido amigo. Feliz demais com a volta do Ideias...

    Grande abraço

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